A semaglutida já faz parte da rotina de muitas clínicas, mas definir o que prescrever nem sempre é tão simples. A mesma molécula está presente em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, mas cada um tem indicações, doses e formas de uso próprias.
Por isso, falar em “dose da semaglutida” de forma genérica pode gerar confusão. A quantidade, a frequência e o escalonamento variam conforme o medicamento e a indicação. Também entram nessa decisão a resposta do paciente, a tolerabilidade e o acompanhamento ao longo do tratamento.
É justamente na hora de transformar todas essas informações em uma conduta que surgem as dúvidas. Qual apresentação utilizar? Como fazer o escalonamento? Quando ajustar a dose? O que deve constar na receita?
Para ajudar a responder essas e outras perguntas comuns, o My Smart Clinic reuniu neste artigo as principais informações sobre a prescrição de semaglutida, considerando as bulas e as regras vigentes no Brasil. Veja tudo o que preparamos para você:
- Quais são as diferenças entre Ozempic, Wegovy e Rybelsus?
- O que avaliar antes de prescrever semaglutida?
- Posologia e escalonamento da semaglutida
- Tabela de doses de Ozempic, Wegovy e Rybelsus
- Como calcular e ajustar a dosagem de semaglutida?
- Como fazer a receita de semaglutida?
- Como monitorar o tratamento com semaglutida?
- Como emitir a prescrição digital no My Smart Clinic?
Entre tantas apresentações e doses, como definir a prescrição mais adequada para cada paciente? Vamos entender?
Quais são as diferenças entre Ozempic, Wegovy e Rybelsus?
A principal diferença entre o Ozempic, Wegovy e Rybelsus está na indicação. Isso explica por que, embora os três medicamentos tenham a semaglutida como princípio ativo e sejam produzidos pela mesma farmacêutica, a dinamarquesa Novo Nordisk, eles não são intercambiáveis.
E aqui está um detalhe que surpreende muitos pacientes: nem todo medicamento à base de semaglutida é indicado para emagrecimento. A molécula pode produzir redução do peso, mas isso não significa que todos os produtos que a contêm tenham essa indicação aprovada em bula.
E não é só. Como cada um foi desenvolvido para um objetivo terapêutico específico, com isso, também mudam a dose, o esquema de uso e até a forma de administração.
Para deixar essas diferenças mais claras, vamos detalhar a seguir a indicação e o esquema de doses de cada medicamento.
Indicações aprovadas de cada medicamento
Embora tenham o mesmo princípio ativo, Ozempic, Wegovy e Rybelsus não têm as mesmas indicações aprovadas em bula. A história do Ozempic ajuda a entender essa diferença.
O medicamento ganhou notoriedade pelo emagrecimento observado em pessoas que o utilizavam para tratar diabetes tipo 2. Esse uso para perda de peso, porém, não corresponde à indicação aprovada do Ozempic no Brasil. A própria Novo Nordisk afirma que não apoia seu uso off-label, ou seja, fora das especificações da bula.
Foi nesse contexto que surgiu o Wegovy, também à base de semaglutida, mas desenvolvido para o controle de peso. No Brasil, ele é indicado, junto a dieta com redução calórica e atividade física, para adultos com IMC ≥ 30 kg/m² ou com IMC ≥ 27 kg/m² e pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso.
Já o Rybelsus é indicado para adultos com diabetes tipo 2 inadequadamente controlado, como complemento à dieta e ao exercício. Também possui indicação para redução do risco de eventos cardiovasculares em determinados pacientes com diabetes tipo 2.
Semaglutida injetável e semaglutida oral
Quando se fala em semaglutida, é comum pensar imediatamente nas famosas canetas de aplicação. Mas nem todo medicamento com esse princípio ativo é injetável.
Entre os produtos apresentados neste artigo, Ozempic e Wegovy são administrados por injeção subcutânea, enquanto o Rybelsus é tomado por via oral, em comprimidos.
A forma de administração, porém, não é a única diferença. A posologia também muda entre os medicamentos, tanto na dose quanto na frequência e no modo de uso. Como esse é um dos pontos que mais exige atenção na prescrição, ele merece uma explicação à parte e será detalhado mais adiante.
O que avaliar antes de prescrever semaglutida?
A prescrição de semaglutida é sempre individualizada. Antes de definir o medicamento e o esquema de tratamento, o médico precisa considerar o objetivo terapêutico, as características do paciente e possíveis fatores que exigem cautela.
Mas o que exatamente deve entrar nessa avaliação? É o que veremos a seguir.
Critérios clínicos e objetivos do tratamento
Tudo começa por entender qual é o objetivo do tratamento. No tratamento de diabetes, a prioridade é o controle glicêmico; já no caso da obesidade, o objetivo é a redução e a manutenção do peso. Essa distinção orienta toda a estratégia terapêutica.
É por esse motivo que uma pessoa em tratamento com Ozempic, por exemplo, não deve simplesmente interromper o medicamento e substituí-lo por Wegovy, ou fazer o caminho inverso, sem avaliação médica.
A partir da definição da meta, a prescrição deve ser individualizada. No tratamento da obesidade, por exemplo, o médico considera o IMC, a presença de comorbidades, a resposta ao tratamento e a tolerabilidade ao medicamento.
Contraindicações, precauções e interações medicamentosas
Os medicamentos à base de semaglutida têm um perfil de segurança bem conhecido, o que explica parte da sua popularidade. Nas bulas brasileiras de Ozempic, Wegovy e Rybelsus, a única contraindicação formal é a hipersensibilidade à semaglutida ou a algum componente da formulação.
Ainda assim, cada produto tem situações que exigem precaução e acompanhamento:
| Ozempic | Wegovy | Rybelsus | |
| Precauções principais | Diabetes tipo 1 e cetoacidose; pancreatite; gastroparesia; retinopatia diabética; NOIA; vesícula biliar; desidratação; anestesia ou sedação; carcinoma medular de tireoide e NEM 2; gestação. | Pancreatite; vesícula biliar; desidratação e efeitos gastrointestinais; anestesia ou sedação; hipoglicemia; outros agonistas de GLP-1; insuficiência renal ou hepática grave; NYHA IV. | Pancreatite; gastroparesia; retinopatia diabética; NOIA; vesícula biliar; desidratação; anestesia ou sedação; cirurgia bariátrica; NYHA IV; gestação. |
| Interações e associações | Pode alterar a absorção de medicamentos orais; risco de hipoglicemia com insulina ou sulfonilureias; monitorar RNI com varfarina e outros cumarínicos. | Pode alterar a absorção de medicamentos orais; risco de hipoglicemia com insulina ou secretagogos de insulina. | Pode alterar a absorção de medicamentos orais; atenção especial à levotiroxina e à varfarina ou outros cumarínicos; aguardar pelo menos 30 minutos antes de outros medicamentos orais. |
Em comum, os três podem causar efeitos gastrointestinais e exigem atenção ao risco de desidratação. A avaliação dessas condições e de outros medicamentos em uso deve fazer parte da prescrição individualizada, sempre de acordo com a bula do produto escolhido.

Posologia e escalonamento da semaglutida
A semaglutida não segue uma dose única. Ozempic, Wegovy e Rybelsus têm esquemas de uso diferentes, definidos de acordo com a indicação, a via de administração e a resposta do paciente.
Todos, porém, compartilham uma mesma lógica: em vez de começar diretamente com a dose de manutenção, o tratamento segue um escalonamento, também chamado de titulação. A dose é aumentada gradualmente, conforme a tolerabilidade e a avaliação médica.
O tratamento tem três fases:
- Iniciação: começa com uma dose mais baixa, para adaptação ao medicamento.
- Escalonamento: a dose aumenta progressivamente, conforme a tolerância e a orientação da bula.
- Manutenção: chega-se à dose adequada para sustentar o objetivo clínico.
Essa estratégia permite que o organismo se adapte ao medicamento e ajuda a reduzir a ocorrência de efeitos gastrointestinais, como náusea, vômito, diarreia e constipação.
Apesar de essa estrutura se aplicar aos três medicamentos, as doses e os intervalos de cada etapa são diferentes. Por isso, é preciso conhecer a posologia e o escalonamento específicos de Ozempic, Wegovy e Rybelsus. É isso que explicaremos a seguir, um a um.
Posologia e escalonamento do Ozempic
No Brasil, a posologia do Ozempic começa em 0,25 mg uma vez por semana e aumenta gradualmente, podendo chegar a 1 mg uma vez por semana. A dose inicial é mantida durante quatro semanas antes do primeiro aumento.
O escalonamento previsto em bula funciona assim:
- 0,25 mg: uma vez por semana, durante quatro semanas.
- 0,5 mg: uma vez por semana; pode ser mantida como dose de manutenção.
- 1 mg: uma vez por semana, se a glicemia não estiver adequadamente controlada com 0,5 mg.
Nem todo paciente precisa chegar a 1 mg. A dose deve ser ajustada pelo médico conforme o controle glicêmico e a tolerabilidade ao tratamento.
Posologia e escalonamento do Wegovy
O Wegovy começa com uma dose baixa e aumenta gradualmente ao longo de 16 semanas. A dose de manutenção recomendada é de 2,4 mg uma vez por semana.
A dose é aumentada em quatro etapas, até chegar à manutenção:
- 0,25 mg: uma vez por semana, nas semanas 1 a 4.
- 0,5 mg: uma vez por semana, nas semanas 5 a 8.
- 1 mg: uma vez por semana, nas semanas 9 a 12.
- 1,7 mg: uma vez por semana, nas semanas 13 a 16.
- 2,4 mg: uma vez por semana, a partir da semana 17, como dose de manutenção.
Se os sintomas gastrointestinais forem significativos, o aumento pode ser adiado até que melhorem. Em algumas situações, o médico também pode reduzir temporariamente a dose para 1,7 mg antes de tentar novamente chegar a 2,4 mg.
Posologia e escalonamento do Rybelsus
O Rybelsus é a semaglutida oral e segue um esquema próprio, com doses diárias mais altas porque a semaglutida é menos absorvida por via oral.
A progressão das doses é a seguinte:
- 3 mg: uma vez ao dia, durante um mês.
- 7 mg: uma vez ao dia, como dose de manutenção.
- 14 mg: uma vez ao dia, após pelo menos um mês com 7 mg, quando for necessário maior controle glicêmico.
A dose máxima recomendada é de 14 mg ao dia, mas isso não significa que todo paciente precise chegar a ela. A dose de manutenção pode ser alcançada antes, e a progressão deve considerar o controle glicêmico e a tolerabilidade.
O Rybelsus deve ser tomado uma vez ao dia, em jejum, após pelo menos 8 horas sem comer, com até 120 mL de água. Depois, é preciso esperar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros medicamentos orais. Dois comprimidos de 7 mg não devem ser usados para obter uma dose de 14 mg.
Tabela de doses de Ozempic, Wegovy e Rybelsus
Na rotina do consultório, uma tabela resolve mais do que um parágrafo. Reunimos abaixo as doses de bula dos três medicamentos, lado a lado: etapas, manutenção e dose máxima para uma consulta rápida.
| Medicamento | Iniciação | Escalonamento | Manutenção |
| Ozempic | 0,25 mg/semana | 0,5 mg → 1 mg | 0,5 mg ou 1 mg/semana |
| Wegovy | 0,25 mg/semana | 0,5 mg → 1 mg → 1,7 mg → 2,4 mg | 2,4 mg/semana |
| Rybelsus | 3 mg/dia | 7 mg → 14 mg | 7 mg ou 14 mg/dia |
As doses apresentadas são referências de bula e não representam um esquema rígido. Ao longo do tratamento, ajustes podem ser necessários, conforme explicaremos a seguir.
Como calcular e ajustar a dosagem de semaglutida?
A dose de semaglutida não precisa seguir o mesmo ritmo para todos. Conforme a resposta clínica e a tolerabilidade, o médico pode manter uma dose por mais tempo, adiar um aumento ou ajustar o tratamento.
Essa reavaliação pode ser necessária quando o paciente não tolera a dose atual, não responde como esperado, troca de produto ou retoma o tratamento após uma pausa.
Também entram nessa decisão a indicação, a apresentação e a forma de administração. A seguir, veja como ajustar a dose com segurança e quais cuidados ajudam a evitar erros.
Ajustes conforme tolerabilidade e resposta clínica
A dose de semaglutida deve avançar conforme o paciente tolera o tratamento e responde a ele:
- Se a dose atual for bem tolerada, mas o resultado ainda não for suficiente, o médico pode prosseguir para a próxima etapa;
- Caso haja sintomas gastrointestinais importantes, é possível adiar o aumento ou manter temporariamente uma dose menor.
A própria bula do Wegovy, aliás, prevê que o escalonamento seja prolongado quando necessário.
Por que não prescrever doses com base em cliques da caneta?
A contagem de cliques ganhou espaço porque permite tentar fracionar a dose, fazer ajustes menores entre as etapas do tratamento e prolongar o uso de uma mesma caneta. Como o seletor emite um estalo a cada movimento, surgiu a prática de relacionar o número de cliques a determinadas doses, dando origem às tabelas que circulam na internet.
O problema é que os cliques são uma característica mecânica do dispositivo, e não uma unidade de dose indicada pelo fabricante. Por isso, usar essa referência para prescrever ou fracionar doses pode aumentar o risco de:
- Erro de dose: uma contagem incorreta pode levar à aplicação de uma quantidade maior ou menor do medicamento.
- Confusão entre canetas: apresentações e concentrações diferentes não devem ser tratadas como se tivessem a mesma relação entre cliques e miligramas.
- Dificuldade de orientação: uma prescrição em cliques pode gerar dúvidas na aplicação e favorecer erros pelo paciente.
- Uso inadequado do dispositivo: o fabricante orienta selecionar a dose indicada no contador, e não determinar a quantidade pelo número de cliques.
Assim, mesmo que alguns profissionais utilizem essa estratégia em situações específicas, ela não deve ser tratada como um método padronizado de prescrição.
Riscos da conversão entre miligramas e mililitros
O risco aparece principalmente quando a semaglutida está em frascos que exigem medição com seringa, especialmente em preparações manipuladas. Nesse caso, a dose em miligramas precisa ser convertida para o volume correspondente.
O problema é que mg, mL e unidades da seringa não são equivalentes. A quantidade de semaglutida depende da concentração da solução, enquanto as unidades indicam volume. Em uma seringa U-100, por exemplo, 100 unidades correspondem a 1 mL.
Um erro nessa conversão pode resultar em subdosagem ou superdosagem. Para ter uma ideia, FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, registrou casos de pacientes que receberam de cinco a 20 vezes a dose pretendida após erros de cálculo ou de medição.
O cálculo deve considerar sempre a concentração exata do produto:
- Volume (mL) = dose prescrita (mg) / concentração (Mg/ML)
Se a seringa for U-100:
- Unidades = volume (mL) x 100
A concentração indicada no produto e o tipo de seringa devem ser conferidos antes do cálculo.
Como fazer a receita de semaglutida?
Desde 2025, a prescrição de semaglutida e outros agonistas de GLP-1 passou a seguir novas regras da Anvisa, estabelecidas pela RDC nº 973/2025 e pela IN nº 360/2025. A mudança foi adotada para ampliar o controle sobre esses medicamentos e reduzir problemas relacionados ao uso inadequado.
Com a nova regulamentação, a prescrição e a dispensação passaram a ter exigências específicas. Para quem prescreve, isso significa atenção a alguns detalhes do receituário que precisam ser observados.
A seguir, vamos entender essas regras e os cuidados envolvidos na prescrição de Ozempic, Wegovy e Rybelsus.
Tipo de receita, número de vias e validade
A Anvisa incluiu os agonistas de GLP-1 nas regras de medicamentos sujeitos a prescrição e retenção de receita. A mudança passou a exigir mais controle sobre a dispensação de semaglutida e outros medicamentos da classe.
Para a prescrição, as principais regras são:
- Tipo de receita: deve ser utilizada receita branca, em receituário privativo do prescritor ou do estabelecimento de saúde. Não há um modelo específico de formulário.
- Número de vias: a receita deve ser emitida em duas vias. A farmácia retém a segunda e devolve a primeira ao paciente.
- Validade: a receita pode ser utilizada por até 90 dias, contados a partir da data de emissão. Em tratamentos prolongados, também pode permitir dispensações posteriores dentro desse período, conforme as regras da RDC.
Evite confusão: apesar do controle reforçado, esses medicamentos não são controlados pela Portaria SVS/MS nº 344/1998. Não exigem notificação de receita azul ou amarela, nem receita de controle especial.
Informações obrigatórias na prescrição
Para que a receita de semaglutida seja válida para a dispensação, algumas informações precisam estar presentes no documento. Entre elas:
- Paciente: nome completo, idade e sexo.
- Medicamento: nome pela Denominação Comum Brasileira (DCB), concentração, forma farmacêutica e apresentação.
- Tratamento: posologia, quantidade prescrita e duração prevista.
- Prescritor: nome, número de registro no conselho profissional, endereço, telefone, assinatura e carimbo.
- Data de emissão: usada como referência para o prazo de validade da receita.
Esses dados permitem identificar o paciente, o medicamento prescrito, o tratamento indicado e o profissional responsável pela prescrição.
Prescrição digital de Ozempic, Wegovy e Rybelsus
Os três podem ser prescritos digitalmente, com validade equivalente à receita em papel. Para ser aceita pela farmácia, porém, a receita deve ser um documento eletrônico de origem, com assinatura eletrônica válida e passível de verificação. Fotos, prints ou PDFs de uma receita originalmente emitida em papel não substituem o documento eletrônico original.
Fique atento às datas: desde 30 de setembro de 2026, o Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) permite a integração de receitas brancas eletrônicas ao sistema. Até 29 de outubro, podem coexistir receitas em papel, eletrônicas sem integração e eletrônicas integradas. A partir de 30 de outubro, toda receita branca emitida eletronicamente deverá estar integrada ao SNCR. As receitas em papel continuam válidas.
Como monitorar o tratamento com semaglutida?
A prescrição não termina na receita. O tratamento com semaglutida exige acompanhamento médico regular para avaliar a resposta, a tolerabilidade e a evolução do paciente. Conforme esses fatores, a dose pode ser mantida, aumentada ou reduzida.
Esse monitoramento também ajuda a identificar efeitos adversos, acompanhar exames quando indicados e decidir se o tratamento deve continuar ou ser ajustado.
A seguir, veja o que deve ser acompanhado ao longo do tratamento.
Avaliação clínica e exames complementares
Antes de iniciar a semaglutida, o paciente deve passar por avaliação clínica e, quando indicados, exames complementares. Durante o tratamento, esses parâmetros podem ser reavaliados conforme a indicação, as condições de saúde e a resposta ao medicamento.
Entre os exames que podem fazer parte desse acompanhamento estão:
- Glicemia de jejum e HbA1c: ajudam a acompanhar o controle glicêmico, especialmente em pacientes com diabetes.
- Lipidograma: permite acompanhar colesterol e triglicérides.
- Função hepática: exames como TGO e TGP podem ser solicitados conforme o quadro clínico.
- Função renal: pode ser avaliada quando houver indicação clínica ou fatores de risco.
Exames como amilase e lipase não precisam ser monitorados rotineiramente em pacientes assintomáticos. Se surgirem sintomas sugestivos de pancreatite, como dor abdominal intensa e persistente, a investigação deve ser feita imediatamente.
Manejo dos efeitos adversos
Os efeitos gastrointestinais estão entre as reações adversas mais frequentes da semaglutida. Náusea, vômito, diarreia, constipação e dor abdominal podem afetar a tolerabilidade e, consequentemente, a continuidade do tratamento.
Esses sintomas tendem a ser mais intensos durante o início e o aumento das doses. Se forem importantes ou persistentes, o médico pode reavaliar o escalonamento, manter a dose por mais tempo ou reduzi-la.
Dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de vômitos, exige avaliação médica para investigar complicações como pancreatite.
Critérios para manter, ajustar ou interromper o tratamento
Quando parar a semaglutida? Essa é uma das dúvidas mais comuns e que mais dividem opiniões entre profissionais. Uma referência recente para responder a essa pergunta é um artigo publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology.
Elaborado por especialistas ligados a organizações europeias de nutrição e cuidado de pessoas que vivem com obesidade, o texto traz recomendações para o acompanhamento de adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas. Em resumo, ele sugere que:
- Manter: quando há resposta clínica adequada, boa tolerabilidade e ingestão nutricional suficiente.
- Ajustar: diante de resposta insuficiente, efeitos adversos, perda de peso rápida demais ou dificuldade para manter uma alimentação adequada.
- Interromper ou pausar: se a ingestão permanecer abaixo de 800 kcal por dia por uma semana ou mais ou se as necessidades nutricionais não forem atendidas mesmo com suporte adequado.
Mas atenção: a interrupção exige atenção ao reganho de peso. Essa questão foi observada no STEP 1, um ensaio clínico internacional de fase 3, financiado pela Novo Nordisk.
O estudo acompanhou 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, por 68 semanas. Os participantes que receberam semaglutida 2,4 mg tiveram perda de peso significativamente maior que aqueles que receberam placebo. Após a suspensão do medicamento, uma extensão acompanhou parte dos participantes por mais um ano. Nesse período, eles recuperaram cerca de dois terços do peso perdido durante o tratamento.
Como emitir a prescrição digital no My Smart Clinic?
Na rotina do consultório, quanto mais etapas ficam concentradas no mesmo atendimento, mais simples é registrar e acompanhar a conduta. Com a Prescrição Memed integrada ao My Smart Clinic, o profissional pode elaborar a receita das canetas diretamente no prontuário, sem precisar alternar entre diferentes sistemas.
A partir do prontuário, o processo segue da escolha do medicamento até o envio da receita ao paciente. Veja como funciona:
- Acesse o prontuário: abra o cadastro do paciente e o atendimento em que a prescrição será realizada.
- Abra a Prescrição Memed: dentro do atendimento, acesse o recurso de prescrição para iniciar a receita.
- Selecione o medicamento: escolha Ozempic, Wegovy ou Rybelsus e informe dose, frequência, duração e demais orientações conforme a conduta definida.
- Revise e assine: confira os dados da prescrição e faça a assinatura digital.
- Envie ao paciente: a receita pode ser encaminhada por WhatsApp ou e-mail e permanece registrada no histórico do paciente.
No fim, a prescrição não fica solta em outro sistema: ela acompanha o atendimento e pode ser consultada junto ao histórico do paciente. Menos etapas entre a consulta e a receita, mais facilidade para manter tudo organizado no mesmo lugar.
Prescrição, acompanhamento, prontuário: por que fazer tudo separado?
Prescrever semaglutida vai além de definir uma dose ou medicamento. É preciso acompanhar a resposta ao tratamento, ajustar a conduta quando necessário e manter as informações de cada paciente organizadas.
Para facilitar essa rotina, o My Smart Clinic integra prontuário eletrônico e prescrição digital Memed. Assim, o profissional pode registrar o atendimento, emitir a receita e enviá-la ao paciente sem precisar alternar entre diferentes sistemas.
E esse é só um dos recursos. Assinando nossos planos, você tem ainda acesso a agenda, prontuário, prescrições, financeiro, gestão de pacientes e outros recursos em uma única plataforma. Assim, diferentes áreas da clínica podem ser acompanhadas no mesmo lugar, até mesmo fora do consultório, desde a tela do seu celular.
Quer entender como o My Smart Clinic pode facilitar a rotina da sua clínica? Fale com uma consultora e conheça a plataforma.



