Qual a cor da receita? Quem pode receitar? Quantas vias? Vale por quanto tempo? Pode ser digital? Se você atende pacientes que usam medicamentos como Ozempic ou Mounjaro, provavelmente já ouviu — ou se fez — alguma dessas perguntas.
Esse tipo de questionamento se tornou recorrente desde que a Anvisa atualizou as regras para a dispensação dos agonistas de GLP-1 (as “canetas emagrecedoras“, como se popularizaram nas redes sociais).
Se você ainda tem alguma dúvida sobre como prescrever esses medicamentos, está no lugar certo. Neste artigo, o My Smart Clinic esclarece essas e outras questões, e ainda mostra como fazer uma prescrição digital na prática. Veja tudo o que você vai conferir:
- Mounjaro e Ozempic exigem receita branca ou azul?
- Quais normas regulamentam a prescrição desses medicamentos?
- O que deve constar na receita de Mounjaro e Ozempic?
- Qual é a validade da receita para Mounjaro e Ozempic?
- Quantas vias devem ser emitidas e qual fica retida?
- A receita digital de Mounjaro e Ozempic é válida?
- Como emitir a receita digital no My Smart Clinic?
- Quais erros podem impedir a dispensação do medicamento?
Afinal, o que mudou na receita das canetas? Vamos entender tudo o que você precisa saber antes de emitir a próxima.
Mounjaro e Ozempic exigem receita branca ou azul?
Mounjaro (tirzepatida) e o Ozempic (semaglutida) exigem receita branca comum, emitida em duas vias idênticas. A prescrição pode ser feita em receituário próprio do profissional ou do estabelecimento de saúde, em formato físico ou eletrônico.
Então por que a dúvida sobre a receita azul é tão frequente? Porque a Notificação de Receita B2 (azul) é exigida para os anorexígenos, medicamentos que reduzem o apetite e estão sujeitos a controle especial. Como as canetas ficaram conhecidas como “emagrecedoras”, é fácil misturar as duas categorias. Mas agonistas de GLP-1 e GIP e anorexígenos pertencem a classes bem diferentes:
| Anorexígenos | Agonistas de GLP-1 e GIP | |
| Tipo de receita | Notificação de Receita B2 (azul) | Receita branca comum, 2 vias, com retenção |
| Classificação | Psicotrópicos sujeitos a controle especial | Medicamentos sujeitos a prescrição, não controlados pela Portaria 344/1998 |
| Norma | Portaria SVS/MS nº 344/1998 | RDC nº 973/2025 e IN nº 360/2025 |
| Como atuam | Atuam no sistema nervoso central, influenciando fome e saciedade | Imitam a ação dos hormônios GLP-1 e GIP, aumentando a saciedade, reduzindo o apetite e auxiliando no controle da glicemia |
| Forma de uso | Oral, em comprimidos ou cápsulas | Injetável subcutâneo, em caneta; semanal em medicamentos como Ozempic e Mounjaro |
| Para que servem | Redução do apetite no tratamento da obesidade | Ozempic: indicado para o tratamento do diabetes tipo 2; Mounjaro: indicado para diabetes tipo 2 e controle crônico do peso. |
| Exemplos | Sibutramina, anfepramona | Ozempic e Mounjaro |
Quais normas regulamentam a prescrição desses medicamentos?
Como qualquer medicamento de uso sob receita, Ozempic e Mounjaro só podem ser prescritos por profissionais habilitados. Para os médicos, a regra vale para todo profissional regularmente inscrito no sistema CFM/CRM, conforme a Resolução CFM nº 2.416/2024. Isso inclui endocrinologistas, clínicos gerais, ginecologistas e médicos de outras especialidades. A norma não cita as canetas especificamente, mas estabelece a prescrição de medicamentos como ato médico.
Os cirurgiões-dentistas seguem a Lei nº 5.081/1966, que limita sua atuação ao campo da Odontologia. No caso do Mounjaro, a prescrição pela categoria ganhou respaldo em outubro de 2025 para a apneia obstrutiva do sono em pacientes com obesidade.
Em 2025, a Anvisa também mudou as regras para a dispensação desses medicamentos. A medida passou a exigir receita e retenção de uma via na farmácia, ampliando o controle sobre esses medicamentos. A seguir, explicamos o que mudou com essa norma.
Regras da Anvisa para agonistas de GLP-1
A RDC nº 973/2025 alterou a RDC nº 471/2021, que já estabelecia regras para medicamentos vendidos com retenção de receita, para incluir os agonistas de GLP-1. A IN nº 360/2025 lista as substâncias abrangidas, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida. As novas regras passaram a valer em 23 de junho de 2025.
Desde então, medicamentos como Ozempic e Mounjaro devem ser dispensados com:
- Receita em duas vias, válida por 90 dias;
- Retenção de uma via pela farmácia;
- Registro da dispensação.
A mudança busca ampliar o controle sobre esses medicamentos e reduzir riscos relacionados ao uso inadequado. Mas ela não impede a prescrição off label, ou seja, o uso de um medicamento para uma finalidade diferente daquela aprovada pela Anvisa. Essa possibilidade continua prevista na prática médica: cabe ao médico avaliar o caso individual, considerando os possíveis benefícios e riscos para o paciente.
Diferenças em relação às receitas A1, A2 e B
A receita das canetas pode confundir porque também fica retida na farmácia. Mas isso não significa que Ozempic e Mounjaro estejam sujeitos ao mesmo regime de controle das substâncias das receitas A e B.
A receita das canetas é uma receita branca comum, feita no seu próprio receituário. Já as amarelas (A1 e A2) e a azul (B) são as notificações de receita da Portaria 344/98, com papel numerado e controle bem mais rígido, porque envolvem substâncias com risco de dependência. A amarela cobre entorpecentes; a azul, psicotrópicos (B1) e anorexígenos (B2).
Para visualizar melhor essa diferença, veja como os três tipos de receituário se comparam:
| Canetas (branca) | Azul (B1 e B2) | Amarela (A1 e A2) | |
| Papel | Receituário do médico ou da clínica | Notificação de Receita B | Notificação de Receita A |
| Substâncias | Agonistas de GLP-1 e relacionados | Psicotrópicos e anorexígenos | Entorpecentes |
| Controle | Retenção e registro na farmácia | Controle especial | Controle especial mais restrito |
| Validade | 90 dias | 30 dias | 30 dias |
| Exemplos | Ozempic, Mounjaro | Clonazepam (B1), sibutramina (B2) | Morfina, metadona |
O que deve constar na receita de Mounjaro e Ozempic?
Não existe um modelo padrão específico para a receita de Mounjaro ou Ozempic. Diferentemente das receitas azul e amarela, não há talonário ou layout próprio: o médico pode usar seu receituário ou o da instituição.
Ainda assim, algumas informações precisam estar presentes para que a farmácia possa dispensar o medicamento:
- Identificação: nome completo do paciente, idade e sexo; nome do médico, CRM, endereço, telefone, assinatura e carimbo;
- Medicamento: nome pela Denominação Comum Brasileira (DCB), concentração, apresentação e forma farmacêutica;
- Tratamento: posologia, quantidade prescrita e duração prevista;
- Data da emissão: indica o início do prazo de 90 dias de validade da receita.
Em resumo, o médico não precisa procurar um talonário específico para prescrever Mounjaro ou Ozempic. O próprio receituário pode ser usado, desde que contenha as informações necessárias para identificar o paciente, o medicamento e o tratamento.

Qual é a validade da receita para Mounjaro e Ozempic?
A receita vale 90 dias a partir da data de emissão. Nesse período, ela pode ser usada em mais de uma compra, desde que indique a quantidade necessária a cada 30 dias: o paciente pode levar tudo de uma vez ou mês a mês.
Para manter o tratamento depois disso, é preciso uma nova receita.
Quantas vias devem ser emitidas e qual fica retida?
Para Mounjaro e Ozempic, devem ser emitidas duas vias idênticas da receita. A divisão é simples: uma fica na farmácia e a outra permanece com o paciente.
- Via da farmácia: fica retida no estabelecimento. Nela, o farmacêutico registra a dispensação, com informações como data, quantidade fornecida, lote e sua identificação. A movimentação também deve ser escriturada conforme as regras da Anvisa;
- Via do paciente: é devolvida após a compra, com o registro da dispensação. Ela serve para acompanhar o tratamento e deve ser apresentada novamente caso o paciente faça outras retiradas dentro dos 90 dias de validade.
Essa é a diferença em relação à receita branca simples, usada para medicamentos comuns, que normalmente é emitida em uma única via. No caso das canetas, as duas vias permitem acompanhar cada dispensação sem retirar do paciente o comprovante da prescrição.
A receita digital de Mounjaro e Ozempic é válida?
Sim, e vale tanto quanto a de papel, em todo o território nacional, desde que cumpra os requisitos para prescrição eletrônica. O documento precisa ser emitido eletronicamente, com assinatura eletrônica avançada que permita sua verificação pela farmácia. O certificado ICP-Brasil é uma das formas aceitas.
Por isso, foto, print ou PDF de uma receita física não substituem a receita digital válida. A farmácia precisa conseguir acessar o documento eletrônico original e verificar sua autenticidade.
Desde 30 de setembro de 2026, o Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) também passou a permitir a emissão eletrônica integrada de receitas sujeitas à retenção. Até 29 de outubro, os formatos físico, digital não integrado e digital integrado coexistem. A partir de 30 de outubro, receitas brancas emitidas eletronicamente deverão ser integradas ao sistema. A emissão em papel continua válida.
Como emitir a receita digital no My Smart Clinic?
Emitir uma receita digital pelo My Smart Clinic é simples: o profissional faz todo o processo a partir do prontuário eletrônico, com a Memed integrada à plataforma.
Confira as etapas:
- Acesse o prontuário: encontre o paciente e abra a área de prescrição Memed. Os dados já cadastrados ajudam a evitar novos preenchimentos;
- Selecione o medicamento: escolha o medicamento e informe concentração, dose, frequência, duração e orientações de uso. A integração com a Memed facilita a elaboração da prescrição, uma vez que o sistema sugere a posologia e salva seus mais utilizados;
- Personalize a receita: ajuste as informações da prescrição conforme a necessidade do tratamento. O sistema permite configurar modelos e campos da receita;
- Assine digitalmente: com a receita pronta, faça a assinatura eletrônica utilizando um certificado digital válido;
- Envie ao paciente: depois de assinada, a receita pode ser encaminhada digitalmente ao paciente, inclusive por WhatsApp ou e-mail;
- Mantenha o registro: a prescrição fica vinculada ao prontuário eletrônico, facilitando a consulta do histórico em atendimentos futuros.
Com esse fluxo, o profissional consegue centralizar prescrição, assinatura, envio e histórico no mesmo ambiente, sem depender de processos separados. É menos burocracia para emitir a receita e mais praticidade para acompanhar o atendimento.
Quais erros podem impedir a dispensação do medicamento?
Antes de a receita chegar à farmácia, vale fazer uma última conferência. Uma informação faltando, uma via a menos ou um detalhe fora das regras pode fazer o documento voltar para a clínica. Veja quais situações podem impedir a dispensação:
- Apenas uma via: para Mounjaro e Ozempic, são necessárias duas vias idênticas;
- Prazo vencido: a receita não pode ter mais de 90 dias da data de emissão;
- Rasuras ou informações ilegíveis: especialmente no nome do medicamento, concentração, quantidade e posologia;
- Dados incompletos: podem faltar informações obrigatórias do paciente, do prescritor, do medicamento ou da própria receita;
- Quantidade inadequada: em tratamentos prolongados, a prescrição deve indicar a quantidade correspondente a cada 30 dias para permitir a dispensação parcelada;
- Receita digital irregular: foto, print ou PDF de uma receita física não substituem o documento eletrônico original. A assinatura também precisa ser verificável pela farmácia.
No fim, uma receita correta não é apenas uma exigência para a farmácia. Ela também evita que o paciente precise interromper o caminho entre a consulta e o início ou a continuidade do tratamento.
Sua clínica está pronta para essa rotina?
Medicamentos como Mounjaro e Ozempic exigem atenção a regras específicas de prescrição e dispensação. Enquanto médicos de diferentes especialidades podem prescrever, outros profissionais devem respeitar os limites de sua atuação. E, claro, entram nesta rotina os cuidados com validade, emissão, retenção e registro das receitas.
Só que, no dia a dia da clínica, não basta apenas conhecer as normas. É preciso acessar informações rapidamente, registrar cada atendimento com precisão e manter o histórico do paciente sempre organizado.
É aí que o My Smart Clinic pode ajudar. Nossa plataforma reúne prontuário eletrônico e prescrição digital com assinatura eletrônica e integração com a Memed, deixando o fluxo mais simples desde o atendimento até a emissão da receita.
E isso é só o começo. O My Smart Clinic conta ainda com recursos como agenda, gestão financeira, telemedicina e relatórios. Tudo o que você precisa para a gestão da sua clínica, na palma da sua mão.
Quer ver como funciona? Fale com uma consultora do My Smart Clinic e conheça a plataforma.



