Saúde

Modelos de receita médica: tipos, prescrição e preenchimento

Existem quatro principais tipos de receita médica no Brasil: receita simples, receita de controle especial, receita azul (tipo B) e receita amarela (tipo A).

A receita médica é um dos documentos mais usados no dia a dia de qualquer consultório ou clínica — e também um dos que mais gera dúvidas. Existem diferentes modelos de receituário, cada um com cor, regras e finalidades próprias. E, para completar, esse documento é altamente regulado. Existe uma forma correta de preencher cada campo, com respaldo de normas da Anvisa e das regras do Conselho Federal de Medicina (CFM), entidade que estabelece diretrizes para o exercício da medicina no país. 

Na correria da rotina médica, basta esquecer uma informação obrigatória ou utilizar o modelo incorreto para que o documento seja recusado na farmácia ou acabe comprometendo a segurança do paciente. Por isso, dominar os tipos de receita médica e o correto preenchimento é indispensável para a sua prática profissional.

Para ajudar sua equipe nesse processo, o My Smart Clinic reuniu neste artigo tudo o que você precisa saber sobre receita médica. Você vai entender a diferença entre receita e prescrição, conhecer os principais modelos de receituário e aprender como preencher o documento corretamente. Veja o que preparamos: 

  • Quais os tipos de receita médica?
  • Modelos de receita médica
  • O que significa prescrição?
  • Qual é a diferença entre prescrição e receita médica?
  • Quais informações devem constar na receita médica?
  • Como preencher uma receita médica corretamente?
  • Quais cuidados evitam erros na prescrição?

Emitir um receituário vai muito além de apenas indicar um medicamento. Vamos entender como fazer isso da forma correta?

Quais os tipos de receita médica?

Existem quatro principais tipos de receita médica no Brasil: receita simples, receita de controle especial, receita azul (tipo B) e receita amarela (tipo A). Cada modelo possui regras específicas de emissão, validade e dispensação, definidas de acordo com o nível de controle exigido para cada medicamento, como resumido na tabela abaixo:

Tipo de receita médicaCorUso geral
Receita simplesBrancaMedicamentos que não exigem controle especial
Receita de controle especialBranca (2 vias)Medicamentos sujeitos a controle especial
Receita azul (tipo B)AzulMedicamentos psicotrópicos com maior controle
Receita amarela (tipo A)AmarelaMedicamentos com controle mais rigoroso, como alguns entorpecentes e psicotrópicos

Essa divisão existe para garantir mais segurança ao paciente e controlar o uso de substâncias que podem apresentar riscos, como potencial de abuso, dependência ou efeitos adversos importantes. Por isso, quanto maior o controle necessário, mais rigorosas são as exigências relacionadas ao receituário.

Modelos de receita médica

Cada modelo segue um padrão específico definido pela Anvisa, com regras próprias sobre preenchimento, validade, quantidade de medicamento e retenção. Por isso, utilizar o receituário incorreto pode causar problemas no fornecimento do medicamento e até questionamentos éticos.

Para facilitar a consulta, reunimos abaixo exemplos dos principais modelos de receita médica e como eles devem ser preenchidos.

Receita simples (branca)

A receita simples é o modelo mais utilizado no consultório. É indicada para medicamentos que não exigem controle especial, como muitos analgésicos, anti-inflamatórios e outros de uso frequente. Apesar de não ter uma cor padronizada, costuma ser impressa em papel branco e é emitida em via única.

Mesmo sem um formato único obrigatório, a receita deve reunir algumas informações essenciais para garantir a segurança do tratamento. Veja um exemplo de organização:

CampoPreenchimento
PacienteNome completo
MedicamentoNome genérico, concentração e forma farmacêutica
PosologiaDose, frequência e duração do tratamento. Exemplo: 1 comprimido a cada 8 horas por 7 dias.
QuantidadeTotal de unidades ou volume necessário. Exemplo: 20 comprimidos.
PrescritorNome completo, assinatura e identificação profissional 

A validade depende do medicamento e das regras aplicáveis a cada caso. Diferentemente dos receituários de controle especial, a via não fica retida na farmácia, e o paciente pode guardar o documento após receber o medicamento. 

Receita de controle especial (branca)

A receita de controle especial também é branca, mas possui uma característica importante: é emitida em duas vias — uma fica retida na farmácia, enquanto a outra retorna ao paciente. 

Ela é utilizada para medicamentos sujeitos a controle especial, como algumas substâncias das listas C1, C4 e C5 da Anvisa. Entre os exemplos estão determinados anticonvulsivantes, antiparkinsonianos, imunossupressores, antirretrovirais e anabolizantes. 

A receita deve reunir informações essenciais para garantir a dispensação correta do medicamento. Veja um exemplo de organização dos campos:

CampoPreenchimento
Identificação do emitenteNome completo + registro no conselho profissional + UF (ou dados da instituição)
PacienteNome completo e documento de identificação, quando aplicável
MedicamentoNome, apresentação, concentração e forma farmacêutica
PosologiaDose, frequência e duração do tratamento
QuantidadeQuantidade prescrita
DataData da emissão
PrescritorIdentificação e assinatura do profissional

A validade é de 30 dias em todo o território nacional, e a quantidade máxima varia conforme a substância prescrita e o tempo de tratamento permitido. Esse é o tipo que mais aparece em tratamentos contínuos, então vale reforçar com o paciente a importância de guardar a segunda via.

Atenção: em 2026, os modelos de Receita de Controle Especial foram atualizados pela Anvisa, e os novos formatos passaram a ser obrigatórios para impressões realizadas a partir de 18 de maio. 

Receita azul

A receita azul é utilizada para medicamentos que contêm substâncias das listas B1 e B2, como alguns ansiolíticos, sedativos e anorexígenos. Por serem substâncias sujeitas a controle especial, exigem um modelo específico de notificação e regras próprias para o fornecimento do medicamento. 

Ela é emitida em duas vias: uma fica retida na farmácia e a outra retorna ao paciente. A validade é de 30 dias em todo o território nacional.

Veja os principais campos que precisam ser preenchidos nesse modelo:

CampoPreenchimento
Tipo de notificaçãoB1 ou B2
Identificação do emitenteNome do profissional + registro no conselho + UF (ou dados da instituição)
PacienteNome completo + CPF ou passaporte, quando aplicável
MedicamentoNome, concentração e forma farmacêutica
QuantidadeQuantidade prescrita
PosologiaDose, frequência e duração do tratamento
DataData da emissão
PrescritorAssinatura e identificação profissional

Nesse caso, como a substância é sujeita a notificação, o farmacêutico confere os dados com atenção redobrada antes de liberar o medicamento.Qualquer divergência entre a receita e a notificação pode impedir a entrega do medicamento e obrigar o paciente a voltar ao consultório. 

Receita amarela

A receita amarela é utilizada para medicamentos que contêm substâncias das listas A1, A2 e A3, como alguns entorpecentes e psicotrópicos de maior controle, incluindo medicamentos à base de morfina. Por envolver substâncias sujeitas a regras mais restritas, exige uma Notificação de Receita específica e maior atenção no preenchimento.

O preenchimento segue o padrão abaixo:

CampoPreenchimento
Tipo de notificaçãoA (amarela)
Identificação do emitenteNome do profissional + registro no conselho + UF (ou dados da instituição)
PacienteNome completo + CPF ou passaporte, quando aplicável
MedicamentoNome, concentração e forma farmacêutica
QuantidadeQuantidade prescrita
PosologiaDose, frequência e duração do tratamento
DataData da emissão
PrescritorAssinatura e identificação profissional

A Notificação de Receita A tem validade de 30 dias em todo o território nacional. 

Para entender melhor como os modelos de receita se relacionam com as substâncias controladas, veja o resumo abaixo: 

ListaTipo de substância
A1 e A2Substâncias entorpecentes
A3Substâncias psicotrópicas
B1Substâncias psicotrópicas
B2Substâncias psicotrópicas anorexígenas
C1Outras substâncias sujeitas a controle especial
C2Substâncias retinoicas de uso sistêmico
C3Substâncias imunossupressoras (talidomida)
C4Substâncias antirretrovirais
C5Substâncias anabolizantes

Receita digital

A receita digital é a versão eletrônica da receita médica. Diferente de uma foto do receituário em papel ou de um PDF simples, ela possui mecanismos de validação que garantem a autenticidade do documento e da assinatura do profissional.

Além de facilitar a rotina clínica, esse modelo traz vantagens como:

  • Menos erros de preenchimento, já que os dados são inseridos de forma digital e organizada;
  • Envio mais rápido ao paciente, por meios como WhatsApp, SMS ou e-mail;
  • Maior proteção das informações, com recursos de segurança e adequação à LGPD;
  • Integração com o prontuário eletrônico, evitando retrabalho e facilitando o acompanhamento do histórico do paciente.

É por isso que sistemas de gestão como o My Smart Clinic — com prescrição integrada à Memed — vêm ganhando espaço em consultórios e clínicas de todos os portes: o médico emite a receita direto do prontuário, já com assinatura digital validada no padrão ICP-Brasil, sem precisar sair do sistema. 

Vale lembrar: para medicamentos sujeitos a controle especial, é importante observar as regras específicas de cada tipo de receituário. 

O que significa prescrição?

De acordo com a Política Nacional de Medicamentos, a prescrição é o ato de definir e indicar o tratamento adequado para o paciente. Ela reúne informações como dose, duração do tratamento e orientações necessárias para o uso correto.

Portanto, em poucas palavras, prescrever é formalizar uma conduta terapêutica. Isso pode envolver não apenas medicamentos, mas também recomendações como repouso, fisioterapia, mudanças na alimentação ou outros cuidados indicados para cada caso. 

Vale aqui destacar que, apesar de serem usados comumente como sinônimos, prescrição e receita médica não são a mesma coisa — e essa é uma confusão bastante comum na rotina do consultório. Se você ou alguém da sua equipe já ficou em dúvida sobre os limites de cada conceito, a seguir, explicamos de forma simples e prática qual é a diferença entre eles. 

Qual é a diferença entre prescrição e receita médica?

Embora estejam relacionadas, prescrição e receita médica cumprem papeis diferentes dentro do cuidado com o paciente:

  • Prescrição médica: é a orientação terapêutica completa definida pelo profissional. Pode incluir medicamentos, mas também recomendações como repouso, mudanças na alimentação, atividade física ou encaminhamentos para outros tratamentos;
  • Receita médica: é o documento físico ou digital que formaliza a indicação de um medicamento, com informações como nome do fármaco, concentração, dose, quantidade e orientações de uso.

Em resumo: toda receita faz parte de uma prescrição, mas nem toda prescrição resulta em uma receita. Um médico pode recomendar repouso e hidratação sem emitir um receituário. Já para a dispensação de medicamentos sujeitos a controle especial, o documento adequado é obrigatório.

Quais informações devem constar na receita médica?

A padronização das informações na receita médica não é apenas uma questão de organização: ela também tem importância legal e ajuda a garantir a segurança do tratamento. De forma geral, uma receita precisa trazer informações como identificação do paciente, dados do medicamento, orientações de uso, data e identificação do prescritor. 

Outras informações, como peso, altura ou orientações complementares, podem ser incluídas quando forem necessárias para a segurança e a individualização do tratamento.

A seguir, veja quais informações não podem faltar em um receituário e como preenchê-las corretamente.

Identificação do paciente

O nome completo do paciente é uma informação essencial da receita médica e deve ser preenchido de forma clara, evitando abreviações ou dúvidas sobre a identificação da pessoa. Em alguns tipos de receituário, como os de medicamentos sujeitos a controle especial, outros dados de identificação também podem ser exigidos.

Quando necessário, vale complementar a receita com peso e altura, principalmente em prescrições pediátricas ou medicamentos que dependem de cálculo de dose por quilo.  Esses dados não são obrigatórios em todos os casos, mas podem fazer diferença na segurança do tratamento.

Medicamento prescrito

O nome do medicamento deve ser informado pelo princípio ativo, utilizando a nomenclatura genérica oficial. O nome comercial também pode aparecer, mas não substitui a identificação do medicamento pelo seu componente ativo. 

Além do nome, a receita deve indicar a forma farmacêutica (como comprimido, xarope, creme ou injetável) e a concentração exata, em miligramas ou na unidade correspondente. Essas informações evitam dúvidas na farmácia e reduzem o risco de erros no tratamento. 

Posologia

Aqui entra o “como usar”: a dose indicada, a frequência de administração, a via de uso (oral, tópica, injetável ou outra) e a duração do tratamento. Quanto mais clara e objetiva for a orientação, menor o risco de erros durante o uso do medicamento.

Evite abreviações que possam gerar dúvidas e tenha atenção especial às prescrições de medicamentos controlados, que possuem regras específicas de preenchimento. Informações aparentemente simples, como uma unidade incorreta ou uma vírgula mal posicionada em uma dose decimal, podem comprometer a segurança do tratamento.

Data, assinatura e identificação do médico

Toda receita deve conter a data de emissão, a assinatura e a identificação profissional do responsável pela prescrição, com o respectivo número de registro no conselho de classe. Essas informações devem permitir a identificação clara de quem emitiu o documento e garantir sua autenticidade. 

Além disso, o profissional nunca deve assinar receituários em branco ou emitir documentos sem as informações necessárias. Manter o preenchimento correto evita problemas na dispensação e questionamentos sobre a validade do documento.

Como preencher uma receita médica corretamente?

Agora que você já conhece as informações que não podem faltar em um receituário, vamos entender como preencher um na prática — do primeiro ao último campo:

  1. Identifique o paciente pelo nome completo e inclua outros dados, como endereço ou idade, quando exigidos pelo tipo de receituário;
  2. Informe o medicamento pelo princípio ativo, com forma farmacêutica e concentração;
  3. Detalhe a posologia: dose, via de administração e duração do tratamento, evitando abreviações que possam gerar dúvidas;
  4. Registre a quantidade prescrita conforme as regras do receituário utilizado, incluindo a escrita por extenso quando exigida;
  5. Preencha data, assinatura e identificação profissional do prescritor;
  6. Evite deixar espaços em branco no receituário físico. Quando houver campos não utilizados, trace uma linha ou inutilize o espaço restante para impedir preenchimentos posteriores. 

Parece simples, mas um único campo preenchido de forma incorreta pode gerar problemas na retirada do medicamento pelo paciente ou comprometer a segurança do tratamento.

Quais cuidados evitam erros na prescrição?

Na rotina do consultório, alguns erros se repetem com frequência — e muitos podem ser evitados com medidas simples. Letra ilegível, falta de identificação profissional, data ausente e posologia incompleta estão entre os problemas que mais comprometem a validade e a segurança da receita. 

Confira os principais pontos de atenção e o que fazer:

Erro comumComo evitar
Letra ilegívelUsar prescrição eletrônica ou escrever de forma clara
Identificação profissional ausente ou incompletaConferir nome e registro no conselho antes de finalizar a receita
Posologia vagaInformar dose, via de administração, frequência e duração do tratamento
Uso do modelo erradoConfirmar o tipo de receituário exigido para a substância prescrita (branco, controle especial, azul ou amarelo)
Assinatura em folha em brancoNunca assinar receituários sem o preenchimento prévio e completo de todas as informações 

A prescrição eletrônica elimina a grande maioria desses entraves: resolve o problema da caligrafia, preenche os dados do paciente automaticamente e organiza o histórico completo no prontuário. Quer levar essa praticidade e segurança para a rotina da sua equipe? A gente te conta a seguir como fazer isso.

Sua clínica já conta com tecnologia para tornar a prescrição mais prática? 

A receita médica pode parecer um documento simples, mas envolve uma série de detalhes. Existem diferentes tipos de receituário, com regras e exigências próprias. Conhecer essas normas reduz retrabalho na farmácia, aumenta a segurança do paciente e ajuda o profissional a evitar riscos no atendimento. 

E se sua clínica pudesse contar com uma ferramenta que organiza tudo isso automaticamente? O My Smart Clinic oferece prontuário eletrônico integrado à plataforma de prescrição da Memed, com integração gratuita para médicos e dentistas. 

O profissional pode emitir receitas, atestados e pedidos de exame em poucos cliques, além de salvar medicamentos mais prescritos e sugestões para selecionar durante a emissão, com mais agilidade e segurança. 

E não para por aí: sua equipe também conta com agenda inteligente, gestão financeira completa, teleconsulta e automação de marketing em um único lugar — para ter a clínica inteira organizada na palma da mão.

Quer entender como isso funciona na prática para a sua rotina? Fale com uma consultora do My Smart Clinic e conheça as soluções disponíveis para sua clínica.

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